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Por mais que existam prêmios e festivais, o Óscar ainda é o Santo Graal do cinema…afinal, em que outro festival todos os jurados são ganhadores do Óscar?! Podem vir Cannes, Globos e Leões dourados, nada substitui a sensação de segurar ali no palco aquele homenzinho ingrato que só faz questão de estar nas mãos mais geniais da 7ª Arte. Ano a ano esse espetáculo coroa várias categorias do cinema mundial, e a mais especial delas é a de melhor filme. Até porque ganhar o Óscar de melhor filme significa que seu filme é o melhor filme do mundo dentro do melhor festival de filmes do mundo.

Esses são os 9 indicados a melhor filme de 2017…qual você acha que vai ganhar ?

 

OS 9 MELHORES FILMES DE 2017

 

#1. MANCHESTER À BEIRA MAR

Indicado ao Oscar de Melhor Filme,“Manchester à Beira Mar” é do diretor Kenneth Lonergan, que dirigiu “Margaret (2011)”, e foi o roteirista de “Máfia no Divã (1999)” e do belíssimo “Gangues de Nova York (2002)”. O enredo nos apresenta Lee Chandler (Casey Affleck), um zelador em Boston que se vê forçado a retornar para Manchester, sua cidade natal, com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente após seu irmão falecer precocemente. Este retorno fica ainda mais complicado quando Lee precisa enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes. O filme é sombrio, carismático, divertido, e nos mostra de uma forma suave e que prende a atenção, o peso que um ser humano carrega ao lidar com traumas.

Casey Affleck tem um desempenho devastador como um homem que está se afogando em luto mas recusa qualquer tábua de salvação. Merecida indicação ao Oscar de Melhor Ator e quase com certeza deve confirmar o favoritismo e levar a estatueta. “Manchester à Beira Mar” é um belo filme, apoiado em uma interpretação belíssima, que seria um crime perder.

 

#2. FENCES – UM LIMITE ENTRE NÓS

Concorrendo no Oscar 2017. “Um Limite Entre Nós (Fences)”, concorre em quatro categorias (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado). Este é o terceiro filme de Denzel Washington como diretor após sua estreia com “Voltando a Viver (2002)” e “O Grande Debate (2007)”. Baseado na peça escrita pelo autor americano ganhador do Prêmio Pulitzer em 1987, August Wilson, a adaptação para o cinema é dirigida e protagonizada por Denzel Washington.

A trama retrata a vida de Troy Maxson (Denzel) e os conflitos que rodeiam suas relações sociais e familiares. Casado com Rose (Viola Davis), ele leva uma vida difícil, em uma América hostil aos negros. Quando seu filho Cory (Jovan Adepo) decide seguir carreira no futebol americano – e seguir o antigo sonho do pai em se destacar nos esportes – a convivência entre eles começa a ficar cada vez mais difícil. “Um Limite entre Nós”, possui cerca de 140 minutos, e é um filme pesado e cansativo para quem não gosta do gênero. Podemos dizer que é um teatro filmado, com pouco cenários e impactantes diálogos.

É um filme baseado na grandeza de seus personagens e nos seus diálogos. Não é uma obra visual propriamente dita, ao contrário, tudo é dito. Tudo é colocado em palavras. Simbolicamente, as cercas são construídas e destruídas por palavras. Acredito que Denzel Washington é um forte concorrente a levar a estatueta de melhor ator, e Viola Davies deve ser a vencedora na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (os dois já interpretaram os mesmos papéis na Broadway – e saíram do Tony Awards de 2010 com estatuetas por suas performances). Então se você tiver um pouco de paciência e gostar de dramas familiares não deixem de assistir.

 

#3. ATÉ O ÚLTIMO HOMEM

Quando eu vejo o nome de “Mel Gibson” como diretor, eu já espero um grande filme…afinal, assim foi em “Coração Valente (1994)” – que recebeu cinco estatuetas incluindo a de melhor filme e melhor diretor – e também em “A Paixão de Cristo (2002)” e “Apocalypto (2006)”. Agora em 2017, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas volta a indicar um filme dirigido por Gibson. “Até o Último Homem” concorre nas categorias de “Melhor Filme”, “Melhor Diretor” e “Melhor Ator”, além de algumas categorias técnicas como “Mixagem de Som”, “Edição de Som” e “Montagem”.

O filme nos conta de forma brilhante a trajetória de Desmond Thomas Doss (Andrew Garfield – que pode surpreender e levar a estatueta de melhor ator) um soldado americano, que foi o primeiro e único consciente (pessoa que segue princípios religiosos, morais e éticos discrepantes com o serviço militar) a receber uma Medalha de Honra durante a Segunda Guerra Mundial. Durante a batalha de “Hacksaw Ridge” (título original do longa) em Okinawa, Doss salvou a vida de 75 soldados, incluindo seu superior imediato sem a utilização de nenhuma arma.

O coração deste longa-metragem está na forma em que a direção e o roteiro questionam: como um membro da igreja Adventista do Sétimo Dia entra em um campo de batalha onde é necessário atirar para permanecer vivo? Os conflitos da guerra são amplamente questionados ao longo da trama, tendo a religião um papel importante na posição de cada personagem – como todo bom filme de Mel Gibson. Ele por sinal acerta em cheio na escalação de seu elenco, mas é na ação e construção do ambiente de guerra que sua direção brilha. Ao chegarem em “Hacksaw Ridge”, os soldados americanos escalam uma grande parede de rochas para chegar ao centro da batalha; uma vasta neblina toma conta do cenário, e o sangue derramado, assim com vísceras expostas, refletem o pavor da guerra nas expressões de cada fuzileiro. Não via uma cena de guerra tão boa e tensa desde os primeiros minutos do “Regate do Soldado Ryan (1998)”.

“Até o Último Homem” é um filme espetacular que deve ser visto e apreciado, com certeza um dos melhores filmes que eu assisti esse ano, tomara que a academia tenha o mesmo pensamento.

 

#4. LALALAND – CANTANDO ESTAÇÕES

Com o recorde de indicações ao Oscar 2017. La La Land é o principal favorito para quase todas as categorias. O diretor “Damien Chazelle”, que ficou conhecido pelo belíssimo “Whiplash – Em Busca da Perfeição (2014)”, nos traz a “La La Land – Cantando Estações”, que conta a história do pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling), que ao chegar em Los Angeles conhece a atriz iniciante Mia (Emma Stone), e depois de um início turbulento, os dois se apaixonam perdidamente.

Em busca de oportunidades para suas carreiras na competitiva cidade, os dois jovens tentam fazer o relacionamento amoroso dar certo enquanto perseguem fama e sucesso. “La La Land – Cantando Estações” é a resposta perfeita para quem diz que “não se fazem mais musicais como antigamente”. É um filme leve e visualmente incrível. Mostra que, mesmo sem reinventar o gênero, ainda há espaço para ingenuidade de musicais e quem sabe até para sonhadores.

“Cidade das estrelas, você está brilhando apenas para mim? “

 

#5. MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR

Na corrida pela estatueta de Melhor Filme, temos “Moonlight: Sob a Luz do Luar” que é dirigido por Barry Jenkins e foi indicado à 8 Oscar´s, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coajuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Edição, sendo o segundo mais indicado ao lado de “A Chegada”.

O filme mostra a história do jovem Chiron durante três fases de sua vida: a infância (Alex Hibbert), a adolescência (Ashton Sanders) e a vida adulta (Trevante Rhodes). Durante as duas primeiras fases, vemos um garoto que habita uma zona bastante pobre de Miami, rodeada por uso de drogas, sofre bullying na escola e é taxado de “bicha” (faggy, em inglês). Durante a infância, porém, nem ele mesmo sabe o significado da palavra. Desta forma, mais do que o preconceito já desmascarado, a temática trabalha com a descoberta introspectiva do personagem, e isto é perdidamente brilhante.

“Moonlight: Sob a Luz do Luar”, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23/02) e é um filme triste, não há como negar. Todavia, ao mesmo tempo, é uma obra genialmente bela, tocante e verdadeira.

 

#6. LION – UMA JORNADA PARA CASA

Com 6 indicações ao Oscar, incluindo o de Melhor Filme, ontem eu assisti “Lion – Uma Jornada para Casa” que é dirigido por Garth Davies, fazendo sua estreia em grandes produções. O enredo nos apresenta, o indiano Saroo (Dev Patel), que quando tinha apenas cinco anos se perdeu do irmão numa estação de trem de Calcutá e enfrentou grandes desafios para sobreviver sozinho até de ser adotado por uma família australiana. Nada mal para o homem que certa vez descobriu o infinito.

Incapaz de superar o que aconteceu, aos 25 anos ele decide buscar uma forma de reencontrar sua família biológica. “Lion – Uma Jornada para Casa” é um drama tocante sobre a busca de nossas origens e da importância de enfrentar nossos demônios internos para seguir em frente e nos encontrar como pessoas.

Algumas cenas são comoventes e exploram com muita eficiência toda a emoção que transborda, principalmente nos diálogos entre mãe e filho, méritos para as boas atuações de Kidman e Patel nesses momentos.

Um excelente filme, mas que deve passar batido no Oscar.

 

#7. ESTRELAS ALÉM DO TEMPO

“Estrelas Além do Tempo” é dirigido por Theodore Melfi que já nos apresentou “Amor por Acaso (2010)” e “Um Santo Vizinho (2014)”. O enredo se passa no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, onde uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação.

Com um grande elenco e indicado em 3 categorias do Oscar (Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado), “Estrelas Além do Tempo”, se destaca ao não apostar no vitimismo de suas protagonistas…seria muito fácil, com uma história assim, ficar no sofrimento oriundo do preconceito. Ao invés disso, a trama mostra que cada derrota faz com que elas tenham mais vontade de lutar, mais vontade de serem aceitas, mais vontade de verem seu trabalho dar certo. E lembrar que tudo isso é baseado em uma história real só torna essas atitudes ainda mais admiráveis.

Se você gosta de entretenimento fácil e emocional, que deixa uma lição de superação no seu desfecho, esse é o filme para você.

 

#8. A CHEGADA

“A Chegada” é do diretor Denis Villeneuve que dirigiu “Os Suspeitos (2013)”, “O Homem Duplicado (2013)” e o belíssimo “Sicario: Terra de Ninguém (2015)”. A história se passa nos dias atuais, quando seres alienígenas descem à Terra em naves espalhadas por diversos pontos do planeta, literalmente pairando sobre nossas cabeças. Nós, os terráqueos, não sabemos quais as reais intenções da chegada dos visitantes; e para ajudar na comunicação com os ET´s, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, é convocada com a ajuda do matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner).

“A Chegada” tem um ritmo lento, que acentua a difícil missão de conseguirmos nos comunicar com seres totalmente desconhecidos. Cada dia que passa, cada pequena evolução da protagonista é seguida de inúmeros questionamentos burocráticos e pressão para que ela chegue logo a uma resposta.

É preciso destacar como Amy Adams brilhou nesse papel (faltou a indicação ao Oscar de melhor atriz), a angústia e as experiências de vida da protagonista são transmitidas de maneira espetacular até em cenas sem nenhum diálogo.

“A Chegada” é um filme bonito e gostoso de se ver, mas acho que não tem força para bater os grandes favoritos e levar a estatueta de melhor filme.

 

#9. A QUALQUER CUSTO

“A Qualquer Custo” concorreu no Globo de Ouro na categoria melhor drama, o filme é dirigido por David Mackenzie que nos trouxe “Jogando com o Prazer (2009)”, e a história nos apresenta dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, que perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.

Correto e bem conduzido, “A Qualquer Custo” funciona a contento dentro de sua proposta de faroeste moderno, mas sem brilho. Há um claro apuro nos efeitos sonoros, de forma a intensificar o impacto dos assaltos a banco, e também na bela trilha sonora, composta pela dupla Nick Cave e Warren Ellis. No fim das contas, o maior valor do filme é no sentido de ser um reflexo do Texas atual – e, por que não?, da tal América profunda – do que propriamente por suas qualidades narrativas.

Pode assistir tranquilamente que não vão se arrepender.

 

 

E finalizamos aqui os 9 nomeados á melhor filme de 2017. Façam suas apostas e assistam os ditos cujos, afinal, estar nessa lista é meio que um atestado de que o filme é no mínimo bom.

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